Tenho procurado indícios de que tivemos alguma ação do Live Your Goals por aqui, mas sem sucesso na busca. Gostaria muito de ser corrigida, caso esteja sendo injusta nas minhas observações acerca das ações da FIFA para o desenvolvimento do futebol feminino. Se as ações da dona do futebol chegaram por aqui, e não vi ou ouvi nada a respeito, peço a gentileza de me indicarem o caminho.

E digo tudo isso, porque há anos questiono a ausência do programa aqui no Brasil. E mais questiono, quando leio informação publicada pela própria FIFA, de que foram atendidas mais de 65 mil meninas em 50 países por onde passou o LYG. E sei que é preciso dose generosa de boa vontade de federações locais para que nossas meninas tenham a oportunidade de partcipar deste projeto. E é aí que o pé do frango azeda!

Azeda não só o pé como o frango todo, tanto que a proposta de obrigatoriedade para os clubes devedores terem futebol feminino, através da MP dos Clubes, já foi fortemente rechaçada por Andres Sanchez e Danrlei. Há os espertinhos da câmara, que tentam incluir interesses pessoais no meio das alterações propostas. Segundo notícia no Portal IG, a MP tem 181 sugestões de emendas e algumas ABSURDAS. Sim, em capslock porque a patifaria é tamanho gigante.

Enquanto a Europa caminha a passos largos para uma modalidade forte, sustentável e atraente, nós, pobres mulheres sulamericanas seguimos com os restos, com o engodo. Dar condições e oportunidades para as mulheres no futebol, não é uma questão de jogo bonito ou feio, é uma questão de igualdade e justiça e essa briga requer ânimo e cobrança diárias. Requer argumentos fortes e bem embasados. Requer dados, estatísticas e primordialmente, representatividade, pressão!

Ninguém melhor neste momento que as próprias atletas para fortalecer as exigências. Mas enquanto a apatia dominar o cenário, não acredito numa ampliação na utilização de recursos para o desenvolvimento real da modalidade por aqui.

Não adianta, apesar de todo esforço das próprias atletas na questão física, técnica e tática, compôr uma seleção permanente às vésperas do Mundial e faltando pouco para as Olimpíadas. Não será em 365 dias que teremos uma seleção olímpica amplamente preparada para confrontar países que estão investindo no de-sen-vol-vi-men-to da modalidade há mais tempo.

Não adianta querer queimar etapas e fazer uma preparação de última hora, como se todo nosso talento – desperdiçado muitas vezes, fosse suficiente para suplantar as questões físicas, de base, de aprimoramento tático.

Não sou pessimista e gostaria de avaliar o futebol feminino brasileiro de maneira bem mais positiva, mas basta perder um pouco da ingenuidade para perceber que falta e muito, para que tenhamos de fato uma estrutura típica de quem compete para fortalecer, muito mais do que vencer. Até porque vencer é consequencia de um planejamento bem feito e não às pressas.